International Theatre InstituteWORLD THEATRE DAY - 27th March 2000MENSAGEM INTERNACIONAL - Portuguese |
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dramaturgo 9
"Há mais de dois mil anos, a Electra
de Eurípides dizia:" Como começar minha acusação?
Como terminá-la? O que dizer no meio? Nesta era do eufemismo e da
linguagem estereotipada, em que mais vale tratar de não ferir a
suscetibilidade de todo mundo do que dizer as coisas como elas são,
o grito da filha de Agamenon continua ainda pertinente. Não é
este o papel do teatro? Acusar. Denunciar. Provocar. Incomodar.
Certamente não são a mundialização tão em voga, de que se fala até a exaustão, a universalidade a todo custo e a globalização que ameaça reduzir nosso mundo ao tamanho de uma aldeia onde tudo é igual, que facilitarão o papel do teatro em nossa sociedade cada vez mais asseptizada e sujeita aos dois ou três grandes monstros culturais que tendem a tudo dirigir do alto de seu poder. De tanto querer que tudo se pareça, nada se parecerá mais com nada. Não, a salvação, no início deste terceiro milênio, virá mais dessas pequenas vozes que se elevam por todo parte para acusar a injustiça e, de acordo com os próprios fundamentos do teatro, extrair a essência do ser humano, exprimi-la, transpô-la para compartilhá-la com o mundo inteiro. Essas pequenas vozes vêm da Escócia, da Irlanda, da África do Sul, do Quebec, da Noruega e da Nova Zelândia, fazem escutar por toda lado seu grito de indignação, têm um perfume às vezes local e uma coloração precisa que não têm nada de global, é verdade, mas pelo menos são autênticas! E elas falam para todo o mundo porque de início elas se dirigem a alguém, a um público particular, que pode vibrar reconhecendo suas emoções e suas penas, chorar por si mesmo e rir-se de si mesmo. E o mundo inteiro se reconhecerá se, de início, o retrato esboçado se assemelhar. Porque a universalidade de um texto de teatro não se situa no lugar em que foi escrito mas sim pela humanidade que se desprende dele, pela pertinência de seus propósitos, a beleza de sua estrutura. Não se é mais universal por se escrever em Paris ou Nova York e não em Chicoutimi ou Porto Príncipe. É-se mais universal quando, ao falar do que se conhece a um público que aceita ver-se e autocriticar-se, pelo milagre do teatro, sim, pela fé que nele depositamos, pela sinceridade com que nos investimos nele, conseguimos cantar e descrever a alma humana, a fouiller os arcanos, restituir-lhe toda a riqueza. Tchekov não é universal pelo fato de ser russo, mas porque soube descrever a alma russa na qual todos os seres humanos podem reconhecer-se. Acontece o mesmo com todos os gênios, e mesmo com os simples "bons" autores de teatro: cada réplica escrita por um autor em algum lugar do mundo é por definição universal se ela exprime o grito fundamental de Electra: Como começar minha acusação? Como terminá-la? O que dizer no meio? " Michel Tremblay (dramaturgo
canadense)
"A Jornada Mundial do Teatro, criada em 1961 pelo Instituto internacional do Teatro é celebrada a cada ano no dia 27 de março pelos centros nacionais do Instituto Internacional do Teatro e a comunidade teatral internacional. Várias manifestações teatrais são organizada nessa ocasião, e uma das mais importantes é a difusão da Mensagem Internacional tradicionalmente redigida por uma personalidade teatral de renome mundial à convite do Instituto Internacional do Teatro. " Photo: Grégoire Photo (Droits restreints)
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